Lagoa da Saudade


Considerando o apelo da comunidade santa-cruzense em protesto ao inaceitável quadro de nosso mais belo cartão postal;
Considerando que o efetivo e verdadeiro enfrentamento de proteção a Lagoa deve ser feito por políticas preventivas que passam por garantia de despoluição eficaz e por políticas de repressão qualificada com absoluto respeito ao meio ambiente;
Considerando que a lagoa é fonte natural: açude que serviu água aos mineradores na época da mineração em Goiás;
Considerando a grande beleza cênica que compõe o referido ecossistema, sendo por isso um ponto estratégico com imenso potencial de desenvolvimento de ecoturismo;
Considerando que a lagoa foi por um determinado tempo o ponto de encontro da comunidade santa – cruzense;
Considerando que a lagoa faz parte do imaginário popular por ter sido objeto de narrativas de nossos antepassados que lá andavam de bote, canoa, ou participavam de bailes na ilha. Todos relataram suas experiências, constituindo importantes referências históricas para Santa Cruz;
üConsiderando que a Escola de Economia Doméstica sediada na lagoa, qualificou na década de setenta do século XX: artesanato, corte e costura, culinária, boas maneiras, capacitação para parteiras, etc. jovens da sociedade santa – cruzense ;
Considerando que a lagoa, hoje, não tem mais o mesmo brilho;
Considerando que se trata de proteção não só de um patrimônio, mas, também, da saúde pública;
Considerando que já foi efetuada uma limpeza, porém, voltou os aguapés, isso porque a poluição continua. A função dos aguapés é limpar a água poluída, mas, se faz necessário retirá-lo, pois impede a entrada do oxigênio, a entrada do sol... Fatalmente o declínio da lagoa;
Considerando a aquisição do referido bem pela Igreja, mesmo assim a água é da comunidade;

 A entidade subscritora deste MANIFESTO em consonância com a comunidade é contra a perda simbólica de mais um bem patrimonial da região de Santa Cruz de Goiás; 

Pelos motivos expostos acima, solicita:

Ao Reverendíssimo Bispo Dom Guilherme da Diocese de Ipameri que invista em iniciativas que promovam o desenvolvimento de Santa Cruz, retomando na lagoa os projetos ali desenvolvidos em décadas passadas, tanto na área de Economia Doméstica quanto em retiros espirituais;

Ao Poder Executivo responsável pelas nascentes das águas do município, que junto ao locador e locatário do espaço detecte de vez a origem da contaminação para que seja sanada a causa e não percam tempo combatendo o efeito;

Ao Poder Legislativo que tome ciência dos danos irreversíveis que essa contaminação poderá causar e que faça novamente um movimento em prol da recuperação definitiva da lagoa;

Ao Poder Judiciário que interceda para que a Diocese de Ipameri mediante o uso sustentável de nosso patrimônio natural, notadamente cuide de sua conservação, para que todos juntos, Poder Publico e Sociedade Civil possa inserir Santa Cruz de Goiás definitivamente em um modelo de desenvolvimento do século XXI, levando em conta as futuras gerações, para que usem de forma sustentável nosso patrimônio e aprendam a manter o respeito à natureza e às reais vocações da região.

Santa Cruz de Goiás, 01 de janeiro de 2011
Associação dos Amigos de Santa Cruz e comunidade

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